quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Projeto Trilhas de São Paulo - Trilha do Betary

No feriado de 15 de novembro do ano passado, fomos para mais uma aventura no Petar. Foi a minha sexta vez lá. A história toda da viagem fica pra um outro post, pois nesse quero falar sobre a trilha do Betary, que faz parte do projeto Trilhas de São Paulo, que falei aqui.

Essa trilha está classificada como nível médio no passaporte de trilhas, e acho que bem colocada nesse nível. Não é facinho, e nem tem um nível de dificuldade que impossibilite alguma pessoa de ir. Eu já havia feito essa trilha numa outra vez que estive lá, e também já havia carimbado meu passaporte com ela, porém, depois dessa não fiz mais nenhuma indicada, perdi o passaporte e queria começar tudo de novo. Eu, o Ricardo, a Ana e o Davi compramos o passaporte e temos o intuito de carimbar todo ele, quem sabe?

Além de nós quatro, com o nosso grupo estavam mais 4 amigos do Davi, que fizeram o passeio todo com a gente. Pessoas muito legais, e espero que de bom coração, pois será necessário para me perdoar pois esqueci o nome deles. Sou péssima pra nomes, acho que todo mundo deveria andar com um crachá.

Saímos cedo rumo ao parque, no núcleo Santana, que é onde começa a trilha. São 7,2 km entre ida e volta. O tempo todo andando por entre a mata e atravessando o Rio Betary, que dá o nome a trilha. O rio nesse dia estava bem tranquilo, e pegamos um sol bem bacana, já que as chuvas são muito comuns por lá, além da previsão do tempo também estar indicando essa condição.

A nossa primeira parada na trilha é pra conhecer a caverna da Água Suja. Sinceramente eu não sei se tem a opção de não conhecer as cavernas e fazer só a trilha, já que acho que seria meio que desperdício de tempo, se obrigatoriamente temos que passar pela entrada da caverna, e né, se vc está no Petar, com certeza é pra ver as cavernas. A trilha é mais um bônus. Eu sou meio suspeita pra falar, porque a Água Suja é uma das cavernas que mais gosto por lá, na verdade está em segundo lugar, perde somente pra Ouro Grosso, e ela é uma das únicas cavernas que fui em TODAS as vezes que estive no Petar.

A caverna tem esse nome, segundo nos contou o guia, porque quando ela foi “descoberta” o rio que passa por dentro dela estava sujo, na verdade não era sujeira, e sim a areia do fundo que tinha se misturado com a água por causa de chuvas ou coisa assim. A água é muito limpinha, não potável logicamente, mas não tem nada de sujeira.  Explorar essa caverna é bem bacana, e pra se ter uma ideia, a água do Rio Betary, que é bem gelada, estava quente se comparada a água que tem dentro da caverna, e o mais legal é que praticamente todo o percurso de exploração fazemos dentro da água. Divertido demais!! Essa caverna não tem muitas formações de estalactites e estalagmites, mas a grandeza dela impressiona, e ouvir o barulho da água é algo indescritível. Antes, os turistas podiam chegar até uma cachoeira que tem dentro da caverna, e para isso era necessário passar por um pequeno pedaço, onde tínhamos que ir abaixado e ficar com a água até o pescoço, e o teto ficava logo acima da cabeça, ou seja, o espaço era mesmo somente para a cabeça. Mas tirando a sensação claustrofóbica que isso causava, valia a pena demais. Ver uma cachoeira dentro de uma caverna é muito impressionante. Hoje esse pedaço não pode mais ser visitado, me sinto feliz por ter conseguido um dia ir.

Então chegamos no “ponto final” e voltamos. Não tivemos tanta aventura mas mesmo assim vale bastante conhecer. Saímos da caverna e logo a frente pelo caminho paramos para lanchar. Ficamos à beira do rio, comemos, e descansamos um pouco. Voltamos a caminhar e logo a frente encontramos mais uma caverna, a Cafezal. Eu fiquei feliz demais, pois essa era a única caverna dos núcleos Santana e Ouro Grosso que eu nunca tinha visitado. Eu gostei muito de ver, ela é grande por dentro, tem bastante espaço, e é completamente seca, com uma areia no chão, e como disse a Aninha, parecia que estávamos em outro planeta. Não é uma caverna muito grande, pelo menos não fomos muito nela, não sei também se ela tinha alguma restrição, mas como era a primeira vez, fiquei bastante satisfeita com o que vi.

Voltamos para trilha, atravessa o rio mais umas 347 vezes, e logo chegamos na primeira cachoeira, a Cachoeira das Andorinhas. Ela é linda, fica meio escondida no caminho, mas quando estamos passando o rio pela última vez ela surge toda majestosa. Vale a pena parar um pouco por ali para curtir a sua beleza e entrar nas águas, só não pode chegar embaixo dela, pois a força da água pode afogar alguém.

Depois dali é só seguir mais um pouquinho e chega na segunda cachoeira, a do Beija Flor, que é bonita também, mas eu prefiro a primeira. Nesse dia eu não fui até lá, estava muuuuito cansada, tinha dirigido 9 horas seguidas durante a madrugada, e não tínhamos dormido nem duas horas pra descansar. Eu fiquei deitada pelo banquinho ali mesmo enquanto o resto do grupo seguiu para ver a outra cachoeira. Quando voltaram, comemos mais um pouquinho e nos preparamos para a volta. A trilha na volta, apesar de ser igual a da ida, é mais tranquila, pois não temos o tempo todo que ficar parando para ouvir as explicações, já sabemos de tudo mesmo, então não perdemos o tempo com isso e voltamos bem mais rápido.

Apesar de ser o tempo todo por entre a mata, ela não tem grandes dificuldades, o desnível também não é assim tão forte, tem muitas escadas e alguns sobe e desce, mas é tranquilo, não exige nada demais para se fazer a trilha. Atravessamos o rio várias vezes, mas é sempre em lugar raso, se a água não estiver muito forte não tem nada com o que se preocupar, se a correnteza estiver mais puxada é só dar as mãos todos e atravessam tranquilamente. Em uma das travessias tem agora até a possibilidade de se passar por uma pontezinha nova que fizeram, e é divertido.

Pra quem vai visitar o Petar, mesmo que não queira carimbar a trilha e ter o passaporte, esse passeio vale muito a pena. O contato com a natureza é incrível, e a beleza daquele lugar é indescritível. Depois de todo o cansaço da trilha, nada melhor que chegar no bairro e comer um pastelzinho na única pastelaria que tem por lá. Eu recomendo o de palmito, eheheh.


PETAR é um lugar que todo mundo deveria conhecer, mas eu sou suspeita, foi pra lá que fiz minha primeira viagem de aventura, há 17 anos. Meu pequeno paraíso!!


Cachoeira das Andorinhas

Entrada da Caverna Água Suja


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