Acredito que todo homem, que obviamente veio a esse mundo desprovido de asas, sente aquele tremendo desejo de voar. Mesmo aqueles que tem pavor de altura já devem ter imaginado como seria a vida voando e admirando as lindas paisagens desse mundo lá de cima, sentindo o vento da liberdade batendo no rosto. Quem nunca?
Eu sempre tive vontade de pular saltar de paraquedas, era uma vontade de muito tempo. Teve quem já me prometeu de presente, em troca de promessas cumpridas e outras nem tanto, mas o que importa mesmo é que a vontade nunca passou, e o presente também não veio. Como nada cai do céu, e a minha esperança era que eu também não caísse sem paraquedas aberto, no dia 7 de setembro de 2011 reuní o que precisava para realizar o sonho: coragem, cartão de crédito com limite e duas primas pra me acompanhar.
Saí bem cedinho de Sorocaba com destino a Boituva, cidade de muitos paraquedistas, muito tradicional nesse esporte. Escolhi a Paraquedismo Boituva, pois foi a que me inspirou mais confiança, e escolhi o Salto Duplo Super Vip, com direito a foto e filmagem tanto do instrutor como de um cinegrafista que iria me acompanhar, porque né, nunca se sabe se eu teria coragem de voltar a fazer, então melhor deixar registrado o momento de todas as formas possíveis.
Chegamos cedo na escola, tinha bastante gente por conta do feriado, e todos muito animados e transpirando adrenalina e medo. Fiz a minha ficha (somente eu iria saltar, minhas primas foram só pra dar o apoio moral que eu precisava), logo colocaram meu nome na parede, iria saltar com o Hot (o nome do instrutor é Andre, mas mais conhecido pelo apelido). Não sabia quem era, mas o importante é que ele não me deixasse cair, mesmo se o parqueadas não abrisse, pelo menos não teria eu uma morte solitária. O Zé seria o cinegrafista que saltaria para filmar minha destreza. Preciso falar dele, é uma pessoa que só vi uma vez na vida, mas me passou tanta confiança, tanta tranquilidade, foi tão prestativo e atencioso, que gostei dele de cara, e pensei: "Ta aí, se for acontecer uma tragédia, essa é a pessoa indicada para filmar." Mas brincadeiras a parte, ele é mesmo uma pessoa muito diferente, e me encorajou mais ainda a saltar, mesmo sem saber.
Era chegado o momento de colocar o macacão para saltar, o dia estava quente, não era necessário se eu não quisesse, mas achei que ficaria mais estilosa, então lógico que eu coloquei...rs. E vou te contar, essa hora eu comecei a sentir os friozinhos inevitáveis na barriga. Hot me chamou para fazermos um pequeno treinamento, me disse o que eu poderia e o que eu não poderia fazer durante o salto, e eu, lógicamente, fiquei pensando que iria fazer tudo que não podia. Me deu uns toques: se vc abaixar a perna vou dar um tapinha assim, se vc não se curvar o tapinha vai ser assim, se vc abaixar a cabeça vou dar um tapinha assim. E vou ser sincera, nunca apanhei tanto na minha vida.
Chega o tratorzinho pra levar o grupo pro avião, estava chegando o grande momento. Todos no avião e enquanto sobe o Zé faz questão de filmar o meu desespero perguntando 13242 vezes para o Hot se eu estava bem presa, as outras duplas igualmente ansiosas, o aviãozinho subindo, subindo, subindo....e eis que chega a hora, a porta do avião se abre: nós vamos saltar!!! Pula um, pula outro, e assim o avião vai ficando mais vazio. Na minha vez, quando olhei lá pra baixo, de verdade, não acreditava, e não senti medo. Aquilo parecia tão surreal, que na minha cabeça eu não iria saltar daquela altura. Me senti segura, mais segura do que se estivesse olhando de cima de um prédio de 20 andares, não sei mesmo explicar. Hot me pede pra não pular, que ele ia dar o impulso. Ufa!! Porque se fosse pra eu fazer isso, talvez ainda estivéssemos lá esperando a minha coragem. E de repente, estava euzinha, caindo de uma altura de sei lá quantos metros, a uma velocidade se também não sei quanto. Foi incrível!!! Foram 60 segundos de queda livre, 60 segundo que jamais esquecerei (pra vcs verem que lembro até de todos os tapas que levei por estar fazendo algo errado, mas quem é que consegue raciocinar o quê naquele momento, né?). Foi demais, recomendo pra todo mundo. O Zé e o Hot tiraram excelentes fotos, então está tudo registradinho, na minha memória e na memória do meu computador. Após a abertura do paraquedas a aventura foi outra, o Hot fazia altas manobras, e ficava nos girando no ar, e eu, uma pessoa que não tem medo de altura mas que é completamente tonta com qualquer coisa que gire (verdade, nem posso ficar olhando muito pro ventilador que já vomito), gritava pra ele parar, era eu de um lado gritando: para, para, para, e ele do outro, achando que eu estava curtindo pra caramba, girando ainda mais. Mas, como uma pessoa educada e bem comportada, cheguei ao chão inteira, consegui ainda pousar em pé, e não vomitei nadinha. Uma linda.
Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida, uma experiência que quero guardar pra sempre, e, quando o cartão de crédito permitir, viver de novo.
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| Pronta para entrar no avião |
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| Minhas primas lindas, Poliana e Ana Paula, que me encorajaram nesse dia |
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| Euzinha, saindo do avião. |
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| De outro angulo, dá pra perceber o minha postura super natural e descontraída, depois me pergunto porque apanhei. |
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| Amei essa foto. |
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| A queda livre |
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| Perto do chão, preparando para posar. |
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| Eu, "caindo em pé", rs. |
Que delicia e que fotos lindas... isso é uma coisa que ainda vou fazer!
ResponderExcluirAdorei seu relato, morri de rir com vc dizendo que apanhou muito haha! Figura vc Fran! :)
Beijão!
Hehehe....Re, vc tem q fazer sim, eh demais de bom. E estou adorando a sua viagem...acompanho TODOS os posts...rs. Bjos
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