Vou começar a contar dessa viagem dando um resumo dela que foi o que coloquei no facebook quando publiquei as fotos. Resultado da Expedição: quase 100 km percorridos, 12 novos amigos, umas 250 picadas de mosquito, 2 canelas estouradas, 1 mancha de batida no tamanho de uma manga, alguns arranhões, alguns escorregões, uma mente renovada e um coração muito mais feliz. Mais um sonho realizado.
Isso descreve bem como foi essa viagem.
Sempre quis conhecer o Monte Roraima, que aventureiro que se preze que não tem essa vontade? Achava que seria bem difícil um dia ir, pois todos os relatos que lia a respeito, imaginava um grau de dificuldade tão absurdo que minha humilde preparação jamais permitiria. Teria que ter anos de treinamento pra um dia ousar querer subir. Descobri depois que não é bem assim, mas como ainda não sabia, e também como uma teimosa que sou, resolvi me refugiar mais uma vez do carnaval, e o alvo desse ano (2013) foi o Monte Roraima.
Aí vieram os questionamentos: vou por conta ou vou por agência? Muita coisa do que li dizia que era tranquilo chegar lá e contratar um guia, mas também vi muitas coisas negativas a respeito dessa prática. Como eu sabia que seria um Perrengue com P maiúsculo fazer essa aventura, achei mais prudente contratar uma agência. Consultei a Roraima Adventure, eles foram super atenciosos, me passaram os valores e tudo mais. Também falava com o Pisa Trekking, a Tainah, que me atendeu na Pisa de Campinas é uma querida, ela foi extremamente prestativa e muito rápida pra responder a todas as minhas perguntas, que não foram poucas, coitada. O valor: o mesmo, na verdade a Pisa intermediava pela Roraima Adventures aqui. O que me levou a fechar com a Pisa? Além da simpatia da Tainah, a forma de pagamento: RA dividia em 5, Pisa com promoção no carnaval dividia em 10. Pobre é fogo viu...
Pacote fechado, mandei e-mail pra Angela (aquela amiga linda que conheci na Patagônia), nós sempre comentamos da vontade de subir o Roraima, disse a ela que tinha fechado, ela se animou e fechou também. Que delícia, não iria mais sozinha.
Todas as dúvidas sanadas, todos equipamentos comprados, eu, como sempre, deixando pra arrumar tudo na última hora, chegou o transfer na minha casa uma hora mais cedo do combinado (o que revelou ter sido bom, senão perderíamos o vôo devido ao trânsito infernal que pegamos em SP), corri para jogar as últimas coisas dentro da mala e parti para a aventura! Passaríamos ainda pegar mais duas pessoas que também iriam para o Monte Roraima com a Pisa. No caminho até o aeroporto já ganhei mais duas amigas: a Dea e a Todinha. No aeroporto reencontrei Angela, que estava vindo de Porto Alegre, passamos nosso primeiro perrengue que foi a perda do RG da Angela, mas conseguimos encontrar. Tudo pronto, partimos rumo a Boa Vista. Chegamos na cidade, tinha já um transfer nos esperando para nos levar ao Hotel, já era tarde, tudo que fizemos foi dormir. Cidade bem fresquinha essa de Boa Vista, 32 graus na madrugada.
Dia seguinte, dia de fazermos o nosso briefing e conhecermos os nossos companheiros de aventura: além de mim, Angela, Dea e Todinha, conhecemos a Mayara, um doce de menina, aparência frágil mas tem uma força; Fernando e Tiago, pai e filho viajando juntos, gaúchos e queridos demais; Ricardo, outro gaúcho, excelente pessoa e muito prestativo; Celso, paranaense que mora em Boa Vista, a primeira impressão foi de uma pessoa mais quieta, mas depois se revelou um profissional no contamento de causos e piadas, também muito prestativo; Rodrigo e Aline, um casal lindo de Manaus, ela, mais quieta, ele com baterias de sobra para falar, um bom humor incrível, além de ter sido um anjo dividindo seu chocolate lindt com a gente; Silvana, também de Manaus, outra amante das viagens; conhecemos nesse dia também o Gilmar, que seria um dos nossos guias junto com o Leo, que não estava; e o Magno, o dono da agência Roraima Adventures; que nos deu toda as instruções da viagem,e fez, com sua apresentação no briefing, a gente querer largar tudo e ir morar em Roraima.
Nesse dia, ganhamos da agência dois brindes, e não pensem vocês que foram canetas, bloquinhos de anotação ou adesivo pra por no carro, o que ganhamos foi um saco plástico bem grosso e grande, e um pacote de saco de lixo com 10 unidades. Presentão, heim? O saco maior era para guardar nossa mochila, e fechar bem, para proteger de possíveis (certas) chuvas. Os saquinhos menores eram um presente super fofinho, serviriam pra guardar nossa comida depois que ela fosse totalmente processada dentro do nosso estomago e intestino. Sim meus amigos, seriam nesses saquinhos que faríamos o tão conhecido número 2, xixi poderíamos fazer a vontade em qualquer lugar, número 2 só no saquinho. Acredito que nessa hora o intestino de todos prendeu, e pensou que iria se soltar somente no final da viagem...
Terminada toda explicação, descobri eu, tão ingênua, que tinha levado pouca roupa de frio. Aí você me pergunta: mas Fran, pra quê roupa de frio se na madrugada estava 32 graus e durante o dia provavelmente a temperatura passaria fácil dos 40? E eu respondo: pq faz calor em Boa Vista, mas no Monte Roraima é frio. Eu deveria ter ouvido minha mãe, que não importa pra onde eu vá, ela sempre me manda levar um casaco. Mas, saí com a Angela para almoçar e procurar uma loja pra comprar uma blusa de frio né. Almoçamos, mas era carnaval, e as lojas estavam fechando. Achei somente uma daquelas blusas térmicas sabe. Comprei também meias de hidroginástica (não, eu não tinha a menor pretensão de usar os rios do caminho como ferramentas para exercitar meu corpitcho na viagem), as meias foram compradas para ajudar a atravessar os rios, já que não pode ser descalço, e atravessar com as botas iria molhar toda ela. Você, caro leitor, que tem vontade de ir pra lá também, pense nisso, vai te ajudar muito.
Dia seguinte, todos acordados bem cedinho, a Van passa para nos pegar e somos apresentados enfim ao nosso Guia Leo. Partimos então rumo a Santa Elena de Uiaren, na Venezuela. A única via de acesso para simples mortais é pela Venezuela, já conseguiram subir o Monte pelo lado brasileiro, mas numa escalada super técnica que levou dias. A gente já ia sofrer bastante da forma tradicional. O Monte Roraima faz divisa com 3 países: Brasil, Venezuela e Guiana, porém é a Venezuela que detém a maior parte desse gigante místico. Chegamos a Santa Elena, e iríamos trocar algumas coisas: de carro, de Van para um 4x4, e trocar o dinheiro, fazer o câmbio do lado de lá é bem mais vantajoso. Tudo trocado, fomos tomar nosso café da manhã numa padaria lá: pão, queijo e suco de laranja, pelo absurdo de 1 real. Não tivemos tempo de conhecer muito bem a cidadezinha, e fiquei triste de não terem carimbado meu passaporte na fronteira. Seguimos então o caminho, agora rumo a Paratepui, que é onde começaria o nosso trekking. Passamos por caminhos lindos, inclusive um lugar onde foi filmado um dos filmes do Jurassic Park. Chegando no povoado, conhecemos nossos carregadores. Uma dica, se você quiser contratar um carregador pra levar suas coisas, é muito barato, o que ao mesmo tempo é bom pra quem paga, mas ruim pra quem ganha, já que não é um trabalho nada fácil. Eles carregam até 15 quilos de bagagem. Eu combinei com a Angela de dividirmos um, assim, cada uma deu 7,5 kg para o carregador e o resto levamos na nossa mochila. Tudo certo, vamos então começar a nossa pequena caminhada. O primeiro dia é o mais tranquilo, se é que podemos dizer que há dias tranquilos. Sabe aquela planície lisinha e retinha que é uma delícia de caminhar? Então, lá é totalmente diferente. Não existe reta, ou você sobe ou você desce. O primeiro dia desce muito...o terreno até que não ruim, a caminhada é fácil e logo começamos avistar o nosso destino: o Monte Roraima, que ainda tímido se escondia por entre nuvens. Logo chegamos no nosso primeiro e mais moderno acampamento de toda a viagem: o Tek. Tínhamos uma pequena cabana pra fazer nossa refeição, e que chovia muito dentro dela, tínhamos um rio de águas limpas e geladas para tomar banho, tínhamos agora a nossa barraca banheiro, que nada mais era que uma barraca, com um banquinho no meio, cortado no centro, onde encaixávamos nosso saco de lixo e fazíamos tranquilamente nosso cocozinho. Quem dera fosse tão fácil assim. Todos ainda muito tímidos no primeiro dia. Comemos um jantar bem gostosinho, preparado pelo Theo, nosso cozinheiro queridíssimo de toda viagem. Jogamos um monte de conversa dentro, porque era muito bom trocar experiências, e fomos dormir. Esse primeiro dia teve banho geladinho no rio. A parte do dormir foi mais complicada. Aqui vai uma dica: quando você ler que precisa levar um saco de dormir que aguente temperaturas a 0 grau, não pense que um de 11 gaus vai dar conta. Senhor! Como passei frio nesse dia, e em todos os outros. Não conseguia dormir de tanto frio, choveu a noite toda e a nossa barraca molhou dentro. Foi uma noite terrível. Mas como depois de toda tempestade vem a bonança, o dia seguinte começou sem chuva. Tomamos nosso café da manhã e partimos para mais um passeio tranquilo pelo caminho. (not)
![]() |
| Monte Kukenan a esquerda, e o Roraima a direita. |
![]() |
| Gilmar, Todinha eu e Mayara. |
![]() |
| Angela e eu |
![]() |
| Eu e o Roraima |
![]() |
| Nosso jantar no primeiro dia de trekking |
O segundo dia o objetivo era chegar na base do Monte Roraima, foi um dia um pouco puxado, pois atravessamos rios, e deixamos as coxas grossas com tanta subida...era praticamente 103% do caminho de subida, só que dessa vez mais complicada pois tinham muitas pedras pelo caminho. A capa de chuva sempre a postos, pois o tempo todo chovia e parava, e nosso Monte Roraima ainda tímido, não queria aparecer de jeito nenhum, sempre escondido pelas nuvens. Chegamos no acampamento, que era bem mais rústico que os outros, com chuva. Tínhamos também um lugar para tomar banho, mas a água era tão gelada, mas tão gelada, mas tão gelada, que congelei até os pensamentos tomando banho nela. Depois do banho fomos todos para as barracas descansar, pois além de quebrados, estava chovendo e não tinha nenhum outro local coberto para ficar. Nosso jantar foi servido na barraca mesmo, e depois Rodrigo nos presenteou com um chocolatinho que acalentou o coração. Pra variar, ainda entrava água na nossa barraca, e eu e Angela estávamos com muito frio. Tinha lido no livro "O Teto do Mundo" do Rodrigo Raineri que uma vez ele colocou água quente na garrafa de água dele e colocou ela no saco de dormir. Fiz a mesma coisa, e não é que esquentou mesmo? Lógico que depois que a água esfriou eu acordei com muito frio...não dormi mais só tentando me aquecer.
![]() |
| Muita subida |
Chegou o terceiro dia: o dia que chegaríamos ao topo! A ansiedade era evidente no rosto de todos, e depois do café da manhã, partimos para o "ataque". A primeira parte da subida é um pouco chatinha, fazemos uma espécie de escalaminhada, mas nada que exija técnicas apuradas. Coragem e um pouquinho de força são suficientes para passar fácil. Chegamos ao paredão, e aí já encontramos uma vegetação um pouco mais densa. O tempo todo é subida (pq será né?) mas tem duas partes que descemos um pedaço, o que dá pra dar uma respirada. Na subida, pegamos também muita chuva, e a capa de chuva foi nossa fiel companheira o tempo todo. Mais um tempo de caminhada e chegamos no tão falado e temido Passo das Lágrimas. É onde cai uma cachoeira, e temos que passar por ela, pelas pedras. Confesso que nem percebi o motivo que deixava tanta gente apreensiva. Chovia bem nessa hora, o que significava que a água que descia da cachoeira estava bem abundante, vi até uma pessoa passando com guarda chuva, achei bem engraçado. Passei só olhando pro chão e tentando me desviar, sem sucesso, de levar um banho. Nem vi quando terminou. A partir dali era só segurar a ansiedade pois o topo estava bem perto. Um pouco mais de subida, por entre pedras, e chegamos ao topo. Eu estava no grupo que chegou por último lá em cima, e quando chegamos Theo estava lá, junto com Dea que esperava pela Todinha que estava comigo. Nos abraçamos e choramos, conquistamos o Monte Roraima! Theo nos esperava com um abacaxi delicioso, comi demais. Dali partimos para o nosso "hotel", que é onde as barracas são montadas lá em cima. Ficamos, pelo que soube, no melhor deles, bem pertinho do paredão. Quando o nosso grupo chegou foram mais abraços, lágrimas e festa de todos. Deixamos nossas coisas e fomos apreciar o por do sol no paredão, e apesar das nuvens, conseguimos ver com perfeição essa maravilha da natureza. Não sei explicar qual é a sensação de se estar lá em cima. É um misto de êxtase e loucura, como pensar que um dia você estaria vivendo no cenário do filme Up, Altas Aventuras? rs. Todos satisfeitos, todos contando como tinha sido a subida, todos bobos. Lindo de ver. Agora, se nos dias que passei lá embaixo eu quase morri de frio, lá em cima então eu praticamente congelei durante a noite. Eu e Angela tentamos dormir mais juntas possível para compartilhar o calor do corpo, mas não era suficiente. Dea foi uma mãezona me emprestando um anorak dela, pois eu não tinha levado. Foi uma noite difícil, e doía ficar em qualquer posição dentro da barraca.
![]() |
| Por do sol no paredão |
![]() |
| Mayara e eu apreciando a vista da nossa janela |
Mas tudo passa, como a noite passou. Dia seguinte tomamos nosso café da manhã e saímos para explorar o Monte. Cada passo que se dava era uma formação diferente. Que lugar era aquele, meu Deus? Assim, a cada segundo, nos sentíamos privilegiados por ter tido a oportunidade de estar lá. O nosso objetivo era chegar em El Fosso, no ponto triplo e no Vale dos Cristais. Caminhamos muito, as vezes com uma pressa que eu não gostei, pois depois de tanto sacrifício eu queria mais era curtir cada momento, mas como não podíamos ficar "zanzando" até de noite, tínhamos as vezes que "passar batido" por lugares que eu queria ter parado. Essa é uma das coisas que não gostei na viagem, pois acho que conquistar aquele lugar e ser conquistado por ele é incrível, e se a gente não puder parar e apreciar, sentir, fotografar (na máquina e na memória) de que vale? Mas enfim, seguíamos a regra. Chegamos em El Fosso para almoçar, e nossos anjos, os meninos da tribo, já estavam lá, com tudo preparado pra gente. Fiquei procurando onde estava o helicóptero que eles tinham usado pra chegar lá antes da gente, mas não encontrei. Como eram rapidinhos esses meninos. Depois de almoçar a dúvida: não iria dar tempo de ver tudo, ou desceríamos para explorar El Fosso ou iríamos para o Vale dos Cristais. Aberta a votação, ganhou ir para o Vale, eu também votei pra essa opção. Gente, saímos numa correria que achei que iria ter uma congestão depois de comer tanto macarrão que foi o cardápio do nosso almoço. Jesus, parecia que estávamos indo salvar uma vida que estava em risco. Depois de quase colocar o almoço todo pra fora, chegamos no Ponto Triplo. É um marco, que divide os países, posso dizer que já fui pra Guiana, pois pisei no Monte Roraima que fica do lado deles. Pena que não tinha ninguém lá em cima pra carimbar meu passaporte...rs...tiramos algumas fotos, e saímos de novo em disparada pra ir até o Vale dos Cristais. O lugar é lindo, aquele branquinho no chão de tantos cristais, um sonho. Não dava para acreditar no que os olhos viam. Mais fotos, e estava chegando a hora de voltar pra casa, nossa corrida de aventura ainda tinha a última etapa. Alguns se aventuraram a tomar um banho em um dos pequenos lagos que tinham no caminho, eu como já passava frio suficiente não me arrisquei, meus lencinhos umedecidos fariam o serviço de forma satisfatória. Voltamos para o nosso acampamento, tomamos banho e nos reunimos para o jantar. Muitas histórias, Leo sempre nos hipnotizando com todo o conhecimento que tem da Montanha Mágica, e fomos criando laços cada vez mais estreitos, já nos sentíamos como uma família. Usar o banheiro já não era mais complicado, nesse tipo de viagem a gente perde até a dignidade, só não perde o bom humor. Depois de muitas risadas, fomos dormir, ou, no meu caso, tentar...mais uma noite que passei tremilicando de frio.
![]() |
| O grupo todo no Ponto Triplo |
![]() |
| Eu e Leo no Vale dos Cristais...olha que chão branquinho. |
![]() |
| El Fosso |
![]() |
| Paisagens do Monte Roraima |
![]() |
| Paisagens do Monte Roraima |
O dia seguinte amanheceu chuvoso, o que pra gente foi muito triste, o passeio programado para o dia prometia ser muito lindo. Resolvemos então conversar mais, cantar, rir, foi ótimo. Quando São Pedro pareceu nos dar uma pequena trégua, um grupo saiu para o passeio, mas como ainda chovia, eu resolvi ficar, já tinha roupas molhadas suficientes para molhar a minha única roupa seca. Após um tempo caçando sapinhos e me enfeitiçando com eles, o tempo finalmente abriu. Os meninos que eram os carregadores, pessoas simpaticíssimas e de uma amabilidade sem igual, nos levaram para um passeio ali por perto mesmo. Subimos umas rochas e pudemos ver um pouco mais do alto aquela paisagem que já enfeitiçava de qualquer forma. Depois eles nos levaram para conhecer uma caverna. Isso mesmo, uma caverna em pleno Monte Roraima!! Eu que sou apaixonada por cavernas, adorei a expectativa de ver uma de lá. Foi bem interessante, apesar de bem diferente das que eu conheço por aqui. De volta ao acampamento, o pessoal já tinha chegado do outro passeio, tomamos banho (rs), jantamos e nos reunimos mais uma vez para mais conversas. Seria a nossa última noite lá no topo, e a saudade já começava a bater.
![]() |
| O sapinho |
Nosso último dia lá em cima amanheceu com tempo bom, preparamos todas as nossas coisas, e partimos para a descida. Esse seria o dia mais puxado de todos, pois não apenas desceríamos para o acampamento base, como seguiríamos viagem até o acampamento Tek, ou seja, o que fizemos em dois dias pra ir faríamos apenas em um dia na volta. Todo mundo diz que pra descer todo sando ajuda, eu já não tenho tanta certeza assim. A descida pra mim foi bastante sofrida, o Passo das Lágrimas estava mais seco, e aí percebi o quanto era "perigoso" passar por ali. Fomos descendo, descendo, descendo...Quando já estávamos terminando a descida eu levei um escorregão bonito, bati minha coxa e fiquei com um roxo gigante na perna. Com o impacto do pé no chão, minha canela inchou, e doeu muito o resto da viagem. Paramos no acampamento base somente pra descansar e comer, depois seguimos...tudo que subimos pra ir estávamos descendo agora, e com minha canela machucada eu estava sofrendo um pouquinho. Quando avistamos o rio Tek foi uma alegria, nem cheguei até o acampamento, fiquei por ali mesmo para tomar banho, com direito a lavar o cabelo e tudo mais. Foi tão reconfortante...eu estava inteirinha picada, os mosquitinhos de lá não dão trégua, e como eu devo ser deliciosa na terra deles, acabaram comigo. Só nas pernas tinham mais de 250 picadas que eu consegui contar. Nesse acampamento tinha uma vendinha que vendia cerveja. Estava quente mas tomei umas 5...tiramos fotos lindas, rimos muito e celebramos nossa viagem. Depois das cervejas, essa foi a única noite que eu consegui realmente dormir.
![]() |
| Nosso acampamento |
Acordamos para o nosso último dia de caminhada. Aquela esperança que um carro pudesse aparecer por ali alimentava minha alma, mas em vão logicamente. Após o café começamos a caminhar. Mais subidinhas...parecia que não tinha fim. Naquele momento eu jurava por tudo que é mais sagrado que jamais em toda minha vida voltaria ao Monte Roraima, porque aquilo tudo judiava demais....tinha manchas por todo o corpo, não tinha nenhuma pedaço que não doía, e achei que passaria o resto da vida com as pernas em petit poa...enfim. Mais um pouco de caminhada e avistamos Paratepui...que alegria!! Chegar na base deles foi emocionante. Eu e Angela nos abraçamos, tínhamos definitivamente conquistado o Monte Roraima. Naquele momento, compramos uma coca cola gelada, e aquilo foi como um néctar dos deuses...depois de tantos dias bebendo somente água e suco, a coca cola foi incrível. Tomei duas...Esperamos todos chegarem, passamos pela revista para ver se não estávamos levando nada que não podia do Monte, subimos no 4x4 e partimos, com muita dor e com saudades. Paramos para almoçar, comer um peixinho, salada...hmmm...estava muito bom, compramos lembrancinhas. Chegando em Santa Elena aproveitamos para gastar o que tinha sobrado de dinheiro no Free Shop, só para não ter que fazer o cambio. Comprei tequila e chocolate...rs... Chegar no hotel em Boa Vista foi bom, saber que teria um banho de chuveiro, e quente!! Nem sei como consegui chegar no quarto, andava que nem um pato. Combinamos um jantar de despedida, mas nem todos poderiam ir. Fiquei muito decepcionada quando o meu chuveiro não esquentava, que frustração...rs...não queria mais banho gelado. Mas teve que ser assim mesmo. Após fomos eu, Dea, Angela, Todinha e Celso para jantar um peixe muito bom no Pier do Rio Branco. Nos despedimos do Celso, que deixou saudades, e fomos para o hotel novamente. Eu iria embora só na tarde do dia seguinte, Angela, Dea e Todinha iriam de madrugada. Me despedi delas também, com a certeza que nos encontraríamos novamente. Dormi como criança..
![]() |
| Os carregadores e Theo, nosso anjo da guarda |
Quando saia de Roraima, já no avião, lendo uma revista com a reportagem que falava justamente do Monte, com as pessoas que conheci lá como o Leo e Theo, tive a certeza que também fui conquistada pelo Monte Roraima. Depois de duas semanas que voltei, quando as dores já tinham ido embora, eu já tinha no coração a vontade de voltar de novo. Quem sabe um dia...




















Nenhum comentário:
Postar um comentário