quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Patagônia - Parte 2

Bem, depois desses dias maravilhosos que tivemos de trekking pelas paisagens maravilhosas de El Chalten, e de termos voltados sãos e salvos para El Calafate, começou uma nova parte da viagem. Dessa vez, o grupo estava maior, pois Bernardo e Mateus se juntaram a nós. 
Nosso dia reservava muitas coisas lindas, estávamos indo rumo ao Parque Nacional Los Glaciares para conhecer o tão famoso Glaciar Perito Moreno. Eu, Mateus, Bernardo, Ives e Jaqueline iríamos fazer o mini trekking pelo Glaciar, os demais iriam apenas conhecer o parque e fazer a navegação. Partimos separados, e aproveitei pra conhecer um pouco mais dos meus mais novos companheiros de viagem. Mateus: um guri, gaúcho, gremista, loiro, alto, lindo. Bernardo: um doutor, psiquiatra, paulista, com excelente gosto musical, meu companheiro de cantorias, uma pessoa de quem sinto muita saudades. Chegamos ao parque, e a chegada é meio bizzara. No ônibus começa a tocar a música do filme carruagem de fogo, e quando a música vai chegando no seu auge, eis que surge todo majestoso o Glaciar Perito Moreno. Foi engraçado, mas muito interessante o modo deles nos apresentarem...ehehe. Descemos do ônibus com destino a uma embarcação que nos levaria até o início do nosso trekking pelo glaciar. Passear por aquelas águas e ver a imensidão de gelo chegando cada vez mais perto é indescritível. Um frio dos piores que passei em toda essa viagem, mas valeu cada tremida de queixo. Chegando, os grupos foram divididos em duas partes: os que queriam o tour em inglês, e os que queriam em espanhol. Já estava eu me encaminhando pro lado do espanhol, já que sou fluente em portunhol. Mas Mateus e Be, fluentes no inglês, me convenceram a ir com eles, e me falaram, que caso eu não entendesse alguma coisa, eles seriam meus intérpretes. Foi legal porque entendi praticamente tudo, só fiquei receosa de perder alguma informação importante pra minha segurança, mas deu tudo certo. Fila para colocar os crampons, que são aqueles negócios de ferro com várias pontas que parecem facas embaixo, para nos ajudar a caminhar no gelo, na verdade, sem aquilo, não damos um passo. Todos devidamente equipados, um treinamento de como andar com os crampons (perna sempre aberta, nunca de lado, cuidado pra não pisar no pé do outro, joelhos flexionados na descida, etc, etc...) começamos nosso trekking. Olha, a sensação é mesmo muito boa, caminhar sobre um geleira milenar, ver seus tons de azul, abismos, cavernas, é mesmo tudo lindo e gratificante. Apesar dos sobes de desces não cansamos muito, e quando termina o trekking vem o "Gran Finale": os guias quebram um pedaço do glaciar, pra virar pequenos gelinhos, e nos serve wisky com esses gelinhos, acompanhado de um delicioso alfajor. Fala sério, quantas vezes na vida temos uma oportunidade assim? Wisky nem é minha bebida favorita, mas essa não podia negar. Fizemos um brinde a viagem, que estava cada dia mais linda.

Sua Mejestade: Perito Moreno


Os crampons

No meio do glaciar

O gelinho da geleira...

Um brinde a viagem e a amizade que estava comçando

Pensa que sabe escalar...

O passeio terminou, e enquanto esperávamos nossa hora de pegar o barco e voltar para o parque, ficamos apreciando a paisagem, esperando quando se desprenderia o próximo pedaço de gelo do glaciar. O barulho que faz quando se desprende é muito legal. Voltamos ao parque, e aproveitamos para andar pelos 4 km de passarela que tem por lá, cada parada víamos o Glaciar de uma forma diferente, juro que tentei por várias vezes filmar o gelo caindo, mas não consegui, queria mostrar pra minha mãe. É um sinal de que devo voltar mais vezes pra lá, só pode. Depois dessa caminhada voltamos para o ônibus, o dia estava terminando. Chegada no hostel, banho, e saimos para jantar. Um fato curioso foi que Angela, que fez somente o passeio pelo parque, tirou várias fotos enquanto estava em outra embarcação passeando pelo lago. Ela tirou foto de um pessoal que estava caminhando do Glaciar, e quando foi aproximar, viu que era a gente. Só pq eu, muito discreta, estava com meu gorrinho vermelho e meu anorak amarelo gema. 
O centro de El Calafate tem uma loja que eu amei, de chocolates, que se chama Chocolate Guerrero, meu sobrenome!!! E o chocolate era muito bom diga-se de passagem, comprei alguns pra trazer de volta. 
O dia seguinte foi um pouco triste, uma boa parte do grupo estava se despedindo da gente: Angela, minha amiga linda que um dia ainda vai escrever as aventuras dela nesse blog junto comigo; Jorge, Alejandra, Carolina, Julia, Matteo e Valentina, todos voltando pra casa, exceto o casal de Italianos, que continuaria na Patagônia, mas não com a gente. Fiquei com o coração apertado, mas Angela prometeu que escreveria, e que me mandaria as fotos que tirou, que logicamente ficaram mil vezes melhores que a minha. O coração já fica faltando um pedaço, pois criamos um laço tão forte nesses dias, triste ter que se despedir. O resto do grupo, que era eu, Be, Mateus, Silvia, Kirsten, Wibke, Jaqueline, Ives, Andy, Ivan e Erica, seguimos em frente. Hoje o nosso destino seria o Chile, atravessaríamos a fronteira para chegar no lugar que fazia meu coração palpitar toda vez que via uma foto: Torres Del Paine. A viagem seguiu tranquila, paramos na fronteira para almoçar, conhecemos nosso guia dos próximos dias: Juan. 
Emoção demais ver essa placa

Chegamos ao parque, e faríamos nossa primeira caminhada até o nosso acampamento, foi uma caminhada bem tranquila, mas nesses campos foi que tivemos a certeza que ali formávamos a Sociedade do Anel, rsrs. O acampamento era bem legal, e ao contrário do primeiro, tinha banheiro com chuveiro quente!!! Ainda continuávamos nas barracas, mas por causa do acesso dos carros ser mais fácil, podíamos ter um pouco mais de conforto. Gente, do acampamento conseguíamos avistar bem de pertinho as Torres del Paine, era lindo demais. O nosso jantar foi bem legal, as pessoas que cuidavam desse acampamento faziam tudo com muito capricho, teve um dia que tivemos até salmão! E toda sobremesa era fruta, uma delícia. Ali não mudava, o sol continuava a se por tarde da noite, e o sono não vinha tão cedo. Mateus se tornou companheiro de conversar até tarde, junto com Érica e Ivan, e houveram dias que jogamos truco argentino, que Ivan nos ensinou tão pacientemente. Jogamos com o pessoal que cozinhava, foi uma noite bem divertida. Sei que valeu a pena toda essa amizade, pois uma coisa que me incomodava nas comidas era o fato de tudo ter pimentão, mas depois de fazer os amizade com os cozinheiros, eles tiraram o pimentão do meu prato. Achei o máximo. 


A sociedade do Anel

O dia seguinte preparava o melhor: chegar aos pés das Torres. Tomamos café da manhã, com direito a ovos mexidos e tudo mais, e saímos para começar o nosso trekking ao redor do Monte Almirante Nieto, margeando o Rio Ascensio. Após 1 hora de subida, subida, subida, dois passos de descida, mais subida, subida, chegamos no refúgio Chileno. A partir dali, o caminho passa por um bosque de paisagens inesquecíveis e chega ao acampamento base de Las Torres, que é o local onde os montanhistas esperam as condições climáticas ideais para escalar as paredes (que sonho né?), depois de uma hora de caminhada, para as pessoas normais, no meu caso foi um pouco mais que isso, chegamos ao mirante de Torres Del Paine. Tipo, não sei descrever o que senti. Como demorei um pouco mais a subir, e os fofos do Ivan e da Erica ficaram o tempo todo comigo, cheguei lá por último, mas quando vi, não consegui me conter, e chorei como criança. Uma das coisas mais lindas que meus olhos já puderam ver, e saber que aquele sonho que eu tinha, de estar ali, todas as vezes que via as fotos pela internet, estava realizado, não tem como descrever. Emoções mais calmas, nos encontramos com o resto do grupo para o almoço, tiramos muitas muitas muitas fotos, apreciamos a beleza explendorosa daquele lugar, e infelizmente tivemos que voltar. A minha volta foi um pouco dolorida, minha bota fez um machucado feio no meu pé, mas nada que pudesse atrapalhar a grandiosidade que tinha sido aquele dia.

Será que eu estava feliz?


Estou sorrindo na foto, mas chorava como criança nesse momento. Pena que as torres estava um pouco encobertas, um outro bom motivo pra voltar outra vez.


Nós

Eu e Silvia

Uma coisa que esqueci de contar, é que foi uma semana antes de eu sair de viagem, que houve aquele acidente na Patagônia Chilena que queimou uma boa parte das belezas daquele lugar, dessa forma, alguns lugares que estavam no meu roteiro como visita, não foram possíveis de serem feitos por conta disso, pois estavam fechado pra visitação. Passamos pelos lugares onde o fogo atingiu, e fui muito triste ver tudo aquilo queimado. As pessoas tem que ser muito responsáveis quando se aventuram sozinhas por aí, não é qualquer lugar que se pode acender uma fogueira, e por imprudência a natureza perdeu parte de sua beleza.
Como não iríamos mais ao vale Del Frances, nosso guia nos sugeriu um trekking para conhecer os Cornos Del Paine. A caminhada foi muito linda, lugares incríveis também. Perto do nosso acampamento tinha um hotel chique demais, onde os hóspedes faziam passeios a cavalo. Mas de verdade, ali naquele paraíso, não precisava mesmo de hotel chique, a paisagem era o que contava. O nosso trekking foi muito bom, na volta, descobrimos uma pequena lanchonete que pertencia a esse hotel, que vendia algumas coisinhas. Compramos algumas cervejas e brindamos mais uma vez dias incríveis. Jantar, barraca e sono.

Atravessando o rio de águas geladas e deliciosas


O cornos


Depois de muito chá, a cerveja!

Manhã seguinte, hora de despedir do nosso acampamento, e partimos rumo a mais uma parte da nossa viagem. Pegamos nossa Van e seguimos rumo ao Glaciar Grey, no caminho pudemos ver coisas lindas, e coisas que doeram o coração, como as planícies queimadas pelo acidente que mencionei acima. Chegando na entrada do parque, para irmos até o mirante do Glaciar, caminhamos muito, chega uma hora que caminhamos por uma passagem com areia e pedra, lindo de se ver, mas cansa...rs...o mirante vale muito a pena, o lugar é fantástico, e ver os icebergs que se desprenderam do glaciar "boiando" pelas águas foi muito legal. Após o passeio seguimos rumo a Puerto Natales, nos hospedamos no nosso hostel e tivemos a grata surpresa de que ficaríamos todos no mesmo quarto. Apesar dos roncos, do despertador tocando as duas da manhã com uma musica que lembrava minha adolescência, foi muito divertido. O jantar foi num restaurante bem bacana, e foi a primeira vez que pedi o King Crab, que sou apaixonada, mas que comer aqui é muito caro e lá é bem barato. Depois de mais algumas cervejas no saguão do hostel, dormimos para esperar a próxima etapa da viagem. 


A paisagem é linda, mas dá pra ver alguns vestígios da queimada que atingiu o parque.







King Crab delicioso
Em breve a terceira parte!

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