Tem coisas que a gente não encontra explicação mesmo. Sai para o meu passeio, o primeiro depois de mais de duas semanas que faria sem o meu grupo. Outra empresa, outro guia, outra turma. Apesar de estar indo conhecer um lugar que parecia ser encantador, fui o caminho todo com aquela angustia no peito, uma vontade de chorar. As paisagens iam passando e eu relembrava todos os momentos vividos, todos os lugares onde estivemos, todas as alegrias, as amizades. Sabe quando você faz alguma coisa e diz: nossa, foi tão bom! Então, era assim que eu me sentia.
O passeio desse dia seria rumo a Pinguinera. Lembram que eu contei no último post que todos foram fazer o passeio mas eu já tinha ele agendado para os dias a mais que ficaria? Resolvi ficar mais dias, pois queria aproveitar ao máximo as minhas férias, e estar em Ushuaia pra mim era muito bom. Passei um pouco mal no caminho meio sinuoso que nos levava até a Estância Harberton, que fica a aproximadamente 90 km de Ushuaia, as margens do Canal de Beagle. Chegando lá pegamos um bote para ir até a ilha dos Pinguins. Gente, é muito lindo ver quando o bote está se aproximando. Você olha para a ilha e enxerga aquele monte de pinguins. Quando na minha vida eu imaginei que estaria num lugar assim? A guia nos explicou que não poderíamos nos aproximar deles, mesmo eles estando o tempo todo muito pertinho da gente. Não podia tocar nem tentar fazer carinho. Muitos deles estavam com ninhos, e se por acaso víssemos eles virando a carinha pra um lado e para outro, não era charme, corre que eles ficaram nervosos e vão te machucar. Diz a lenda que isso dói. Não arrisquei as minha chances, apesar que a vontade de carregar um no colo pra fazer cócegas era enorme. Ela nos explicou muito sobre eles, tiramos muitas fotos, andamos por toda a ilha, devagar, sem pressa, não poderíamos assustá-los, afinal nós que estávamos invadindo o seu habitat. Foi uma experiência incrível, certamente irei de novo se um dia voltar pra lá.




Depois de passarmos um tempo com esses fofos, voltamos para o continente, pois outro grupo iria desembarcar na ilha. A visitação é controlada, e só pode entrar um número limitado de pessoas por dia. Tínhamos ainda um tempo antes de voltarmos para Ushuaia e aproveitamos para conhecer um museu que tem na estância, com várias espécies marinhas. Estava bem interessante mas foi preciso parar a visita no meio pois já estava no hora de voltarmos. Chegando em Ushuaia, consegui falar com o Be, e fomos almoçar juntos,além de nós dois, foi também Wibke, Ives e Jaqueline. Foi reconfortante voltar de um passeio que não tinha nenhum deles e encontrá-los de novo. Almoçamos, depois fomos passear pelas lojinhas de Ushuaia comprar bugigangas, depois fiquei no Hostel com o Be (Wibke e os franceses estavam em outro hotel) até a hora da Van vir buscá-lo para levar ao aeroporto. Aproveitei a carona da Van e fui para meu hotel, já que não ficaria mais no hostel por conta do fim do passeio com o grupo todo. Me despedi de Be, e de Wibke, que estavam de partida. Tinha ficado sozinha. O hotel que fiquei foi o Los Naranjos, e quando entrei no quarto nem acreditei: depois de tantos dias dormindo em barraca, em quartos coletivos, dividindo banheiro, agora eu tinha um quarto só pra mim, com ar condicionado (no caso para usar como aquecedor), com cama king size, um banheiro limpinho só meu. Apesar de todo "luxo" sentia maior falta dos perrengues. A noite Ivan e Erica foram ao hotel me buscar pra irmos jantar, foram uns fofos por me fazer companhia. Dia seguinte estava programado pra mim um passeio de 4x4 para conhecer o lago Fagnano e o Lago Escondido. O Guia, um sujeito muito simpático que não me recordo o nome agora, me pegou no hotel, e depois fomos buscar outro casal em outro hotel. O casal era Italiano também, e eles tinham uma espécie de pousada em Roma. Me deram o cartão e me disseram que quando eu fosse pra lá para procurá-los. Quem sabe um dia... O passeio foi muito gostoso, passamos por lugares bem legais, conhecemos um lugar onde tem vários cachorros husky que são usados para puxar trenós no inverno, fomos aos dois lagos mencionados, no meio do caminho paramos para tomar um café da manhã com a paisagem mais linda do mundo. Terminado todo o tour, estava incluído no pacote um almoço típico deles. Foi bastante diferente, pois o Guia nos levou pra casa dele, que era uma especie de refúgio também. Ele tinha um espaço muito legal, e preparou umas carnes na churrasqueira pra gente que foram deliciosas. Eu, como uma pessoa toda prestativa, lavei toda a louça que estava lá parada, pois ele estava nos explicando que o espaço tinha sido usado no dia anterior, mas a menina que limpava não tinha podido ir. Como eu estava lá sem fazer nada, não me custou lavar a louça, a água era aquecida...rs...Comemos muito, ele nos contou várias histórias. Ele também é guia passeios a cavalo pela Patagônia, uns passeios bem rústicos pelo que entendi, dormem em barracas e tudo mais. Fiquei com muita vontade de fazer esse passeio, já deixei também arquivado na memória. Findo o papo e a hora do retorno, antes de sairmos ele nos serviu um licor de limão, delicioso e super cremoso, que ele mesmo fazia. Eu amei. Ele nos levou de volta para Ushuaia, deixou o casal no hotel e depois me deixou no meu hotel. Ele ficou muito agradecido por eu ter lavado a louça, me achou muito simpática e disse que voltaria mais tarde para me trazer uma garrafa do licor dele como agradecimento. Fiquei muito feliz, pois a distância era grandinha, e disse que ele não precisava se incomodar. Mas não é que no final da tarde ele me trouxe mesmo? Todo embaladinho para não vazar no avião. Tinha um pouco dele ainda na minha geladeira até pouco tempo atrás. De volta a cidade, saí em busca de uma mala, pois já não cabiam mais minhas coisas nas duas mochilas que eu tinha levado. Achei uma perfeita, e no caminho ainda tive a grata surpresa de encontrar Ives e Jaqueline, que foram uns amores falando no francês deles e jurando que eu entendia. Fiquei feliz, eles estavam de partida naquele dia. Os últimos a irem embora antes de mim. No final da noite, Ivan e Erica foram no hotel novamente para me buscar pra jantar, não queriam me deixar sozinha. Fomos ao Pub, não ficamos muito tempo, e chegou a hora da despedida mais uma vez. Ivan partiria logo cedo no dia seguinte para encontrar outro grupo, dessa vez para fazer um tour pelos lagos, com mais conforto. Erica ficaria na cidade, procurando um lugar pra morar e um emprego, como eles eram de Bariloche e a cidade ainda sofria por causa do vulcão, queriam procurar uma oportunidade em Ushuaia. Nos despedimos, agradeci toda paciência, toda companhia, todo carinho. Disse que sentiria muita saudade, o que é a mais pura verdade, pois é exatamente isso que sinto até hoje de todos eles, e de todos os lugares. Foi uma viagem que marcou minha vida de forma muito positiva, e me ajudou a recomeçar. Acho que foi por isso que escolhi ela para contar primeiro aqui no blog.
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| Esse é o lago Fagnano, ou o Escondido...não lembro. |
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| Nosso café da manhã no caminho |
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| O casal de Italianos que conheci nesse dia. |
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| Essa é a frutinha de Calafate, diz a lenda que quem come dela um dia volta. Eu comi, trouxe uma pra casa e ainda trouxe doce feito dela, pra garantir. |
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| E esse é o lago Fagnano, ou o Escondido...rs.. |
Ainda iria passar um dia em Buenos Aires antes de voltar ao Brasil, aproveitei para comprar alfajor pra todos os amigos daqui, e torci pra não ser parada na alfandega por tráfico de alfajor. Paguei até excesso de bagagem por causa deles. E foi assim que tudo terminou...doce, como não poderia deixar de ser.
adorando de ler tudo isso Fran parabéns
ResponderExcluirVera, brigada!! Venha ler sempre...
Excluirbjs