Desde que me conheço como uma pessoa que gosta da natureza e de aventuras, dois lugares sempre habitaram a minha mente e foram um alvo de um dia conhecer: a Patagônia e a Chapada Diamantina. Como já contei nos posts sobre a Patagônia, quando lá fu tinha acabado de passar uns perrengues na vida pessoal e foi como um despertar para uma vida nova. Mas para minha felicidade, nesse mesmo ano, praticamente pouco tempo depois, no carnaval, eu tive a oportunidade de realizar mais um sonho: conhecer a Chapada Diamantina. A história começou mais ou menos assim: fazia parte de um grupo de mochileiros no facebook, e uma menina fez um post perguntando quem toparia ir pra Chapada no carnaval. Eu respondi que sim, outras pessoas também e acabamos criando um grupo só pra gente no facebook também. A menina que criou teve que desistir da viagem, outras pessoas desistiram, e no final ficaram apenas 4 pessoas interessadas: eu, o Eliseu, A Lilian e o William. Não importava se a gente nunca tinha se visto, e se a gente só se conhecia pelo face mesmo. Marcamos a viagem, compramos as passagens e fomos aproveitar nosso carnaval na Bahia. Tivemos alguns contratempos na semana da viagem, o hostel que a gente ia ficar desmarcou tudo por conta de uma menina ter desistido, não tínhamos mais onde ficar nem os passeios, foi um caos, isso na semana da viagem. Ainda bem que o Eliseu deu um jeito, conversou com a Soraia da agência Cirtur e por sorte conseguimos lugar pra ficar e agendar os nossos passeios, pois o que a gente mais queria era fazer a trilha do Paty. O combinado era de nos encontrarmos no domingo em Salvador para pegarmos o ônibus até Lençóis. Lilian e William chegaram mais cedo, e foram aproveitar para conhecer o Pelourinho. Eliseu chegou um pouco antes de mim, e assim que cheguei pude conhecer o primeiro companheiro de viagem. Todos eles eram do Rio, somente eu vinha de São Paulo. Do aeroporto, Eliseu e eu pegamos um táxi até a rodoviária, as passagens de ônibus já estavam compradas, precisávamos apenas retirar no guichê. Como ainda faltava um bom tempo para sair o ônibus, que se não me engano sairia as onze da noite, fomos ao Shopping que tem bem em frente a rodoviária para comer alguma coisa. Almoçamos uma comida bem sem vergonha, e somente depois de comer descobrimos que tinha uma praça de alimentação mais decente, mas aí já era tarde. Encontramos com William e Lilian, e como ainda teríamos tempo resolvemos aproveitar esse tempo para pegar um cineminha, assistimos a Dama de Ferro...rs. Hora da viagem, o ônibus que pegamos era bem ruinzinho, descobrimos depois que não era esse o padrão deles, mas era o que tinha naquele momento. Chegamos em Lençóis as seis da manhã e a Cirtur já tinha um carro a nossa espera. Fomos até a agência, deixamos a mala lá e separamos apenas algumas coisas necessárias para os três dias de trilha que conseguimos comprar para o Paty. Tomamos um café da manhã em um dos bares de Lençóis, que por sinal é uma cidade muito linda e simpática, conhecemos nossos outros companheiros de trilha: o Pablo, que seria o nosso guia, a Marina, que na época era a namorada do Pablo, a Érica que viajava com o namorado e com a irmã, que nossa, esqueci o nome deles (sou péssima pra isso). Pegamos uma Toyota Bandeirantes e partimos para o começo da trilha. Depois de todos prontos, de um aquecimento, hora de começar a caminhar. Não sei explicar, mas aquele lugar é mágico mesmo. Tudo no caminho é lindo demais, e o nosso grupo era muito bom. Conhecer o William e a Lilian foi um presente que a vida me deu, um casal muito fofo com quem espero ter contato pra sempre. Ali começava uma amizade. Eliseu também muito gente boa, e ainda tive a honra de te-lo em meu aniversário daquele ano, nem acreditei quando ele apareceu...ehehe. Caminhamos muito, por subidas e descidas que pareciam impossíveis. Chegamos a um paredão de pedra, de onde tínhamos uma vista magnífica do Vale do Paty, e descobrimos que ali mesmo que iríamos descer. Foi uma caminhada árdua mas totalmente compensadora. A nossa pernoite seria na casa de um dos locais, que agora esqueci o nome (já falei que sou ruim nisso?). A casa muito simples, o nosso banho foi de chuveiro, mas gelado. Ficamos quase todos no mesmo quarto, e a porta não fechava. Eu até hoje olho as fotos e não acredito que aquela menina fresca (eu) teve coragem de dormir ali. Mas, isso foi realmente uma lição pra mim, deixei de me importar com luxos, e hoje somente me importo com o lugar. Não tenho mais frescuras, e a única coisa que ainda não consegui perder foi o medo de barata...rs. Mas preciso falar da comida, isso é muito importante. Meu Deus!! Que comida é aquela. O lugar simples demais, mas o jantar foi de rainha. Não parava de chegar coisa pra comer, e tudo totalmente delicioso. Não dava pra acreditar que estávamos ali no meio do nada comendo tão bem daquele jeito. O café da manhã no dia seguinte também era de babar, o pãozinho feito na hora, o que era aquilo?
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| Nosso grupo na trilha do Paty |
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| Atravessando um riozinho |
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| Esperando o jantar no primeiro dia de caminhada |
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| A trilha |
Partimos para o nosso segundo dia de caminhada, que, como no primeiro, foi fantástico. Nos divertíamos o tempo todo, era muito bom. Ríamos de tudo, uma energia muito boa que criamos. William sempre tirando as melhores fotos, e graças a ele que tenho fotos minhas nos lugares...rs. Chegamos no meio da tarde na casa do seu Jóia (esse eu lembro). Tomamos um banho, ainda gelado, conhecemos um pessoal que também estava fazendo a trilha, e deles todos eu só lembro o nome do Léo, que é um cara super pilhado, gente boa ao extremo, que adora uma aventura e eu só fico babando na disposição que ele tem nas coisas que posta no face. Tínhamos umas cervejinhas quentes, já que a energia que os moradores tinham era bem pouca, proveniente do sol. Jantamos outra comida deliciosa e ficamos até altas horas rindo e conversando sobre tudo. Essa noite tive a oportunidade de dormir num quarto sozinha, e pra variar consegui deixar a porta aberta, que dava pra fora...quando descobri quase morri de susto, e fiquei pensando quantos bichos poderiam ter entrado durante o tempo que ela ficou aberta. Enfim...de tanto pensar dormi.
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| A casa do seu Jóia |
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| Segundo dia de caminhada |
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| Morro do Castelo |
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| A casa que paramos pra preparar o nosso almoço no segundo dia |
Mais um café da manhã perfeito, e da casa do seu Jóia podíamos ver um paredão lindíssimo, e descobrimos que subiríamos por ele, mesmo sem acreditar que por ali teria um caminho. Mas assim fomos, devagar e sempre. O nosso destino do dia seria a cidade de Andaraí. Depois de muito subir o paredão era hora de descer. Esse dia foi muito extenuante, foram 18 km de caminhada, e o sol judiou da gente um pouco. Quando chegamos em Andaraí o desejo era apenas tirar a bota de caminhada e tomar o tão famoso sorvete da cidade. Descansamos um pouco, pegamos a Toyota Bandeirantes que foi nos buscar e partimos rumo ao Poço Azul. É assim, acho mesmo que depois de tanto andar a gente merecia o que tivemos. Aquele Poço Azul é sem palavras pra descrever. Uma água transparente, linda, num tom azul de encher os olhos. Confesso que mesmo entrando de colete salva vidas, eu estava totalmente morta de medo de entrar na água. Mas, o Israel, que mora no lugar (que chato), me deixou muito tranquila e me levou para um tour pelo poço. Sabe aquelas crianças que não querem ir embora do parque de diversão? Então, era eu naquele momento. Não queria mais ir embora dali. Mas como tudo acaba, tivemos que voltar para Lençóis. Lá ficamos na pousada Roncador, que é da agência Cirtur mesmo. Excelente custo benefício. Saímos a noite ´para comemorar, dessa vez com cerveja gelada, a nossa pequena travessia do Paty.
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| Começando o terceiro dia |
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| O paredão que iríamos subir |
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| No Poço Azul |
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| Poço Azul |
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| Poço Azul |
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| Eu morrendo de medo...rs.. |
Tínhamos então mais três dias para aproveitar na Chapada, e decidimos que nesse primeiro depois da trilha, iríamos conhecer algumas atrações por lá. Fomos para Gruta Lapa Doce, que é uma gruta com formações bastante bonitas. Nesse dia éramos somente nós 4 da viagem, mais a Mariana e o Vinícius, que conhecemos lá, e que também eram cariocas como meus amigos. Depois da Lapa doce foi a vez de irmos para a Pratinha, fazer uma flutuação na gruta. Que água mais linda aquela também, e que passeio mais gostoso. Aproveitamos e fizemos uma Tirolesa que caia direto na água. Foi muito bom. Conhecemos também a Gruta Azul. é bonita, mas comparando com as outras deixa muito a desejar. O dia foi muito bom, comemos Mandacaru, a frutinha do cactus. E para terminar o dia com chave de ouro fomos ver o por do sol no Morro do Pai Inácio. Ali sim a gente esquece da vida ao apreciar a maravilha e o presente que a natureza nos deu. Ver as formações da Chapada Diamantina é incrível. Depois de muitas fotos engraçadas, de mais risadas e de muitas histórias do nosso guia Dairone, voltamos pra cidade, muito satisfeitos com mais um dia perfeito.
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| Eu e a Lilian experimentando o Mandacaru |
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| Vista do Morro do Pai Inácio |
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| Pratinha |
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| A gente curtindo no Morro do Pai Inácio |
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| Tirolesa na Pratinha |
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| Lapa Doce |
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| O coração do Morro do Pai Inácio |
O dia seguinte resolvemos ir para Marimbus, que é uma espécie de pantanal da chapada...rs. É um passeio bastante legal, mas cansativo pelo fato de termos que remar. Lógico que quem fez a maior parte do trabalho foi o coitado do Pablo, que nos guiou novamente, mas a gente tentava ajudar. O sol forte não colaborava, e os mosquitinhos atacavam sem dó. Chegamos numa fazenda, e lá tínhamos a nossa disposição uma cachoeira muito gostosa. Passamos um tempo aproveitando e descansando, porque ninguém é de ferro, né? Depois almoçamos mais uma comida deliciosa e voltamos, remando, pelo mesmo caminho. A nossa aventura estava quase acabando...que triste.
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| A cachoeira depois de Marimbus |
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| Remando em Marimbus |
Esse último dia nos reservava algo muito especial: conheceríamos o Poço Encantado. O lugar é lindo mesmo, aquele azul da água (na verdade, essa Chapada só tem coisa linda), tudo perfeito demais. Depois de um tempo admirando, fomos para a Cachoeira do Mosquito. Primeiro, um almoço muito caprichado na casa da D. Noese. Que simpatia de pessoa, que comida. Tínhamos tudo perfeito: as saladas deliciosas, os pratos sensacionais, os sucos naturais super saborosos, e as sobremesas de engordar só de olhar. Ainda tinha os licores...e pra quem gosta cafézinho. O melhor almoço da chapada com certeza foi lá. Comemos muito e fomos caminhar até a cachoeira, que é simplesmente linda. Tiramos muitas fotos, e aproveitamos muito aquele lugar. Tomar um banho de cachoeira é sempre revigorante. Após esse dia perfeito, era hora de voltar. Em Lençóis, tentamos aproveitar a nossa última noite, já que no dia seguinte bem cedinho iríamos embora.
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| O Poço Encantado |
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| Almoço da D. Noese |
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| Cachoeira do Mosquito |
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| Cachoeira do Mosquito |
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| Cachoeira do Mosquito |
A viagem foi mais que perfeita, as amizades feitas ficarão guardadas pra sempre no meu coração. Tenho certeza que um dia ainda volto pra esse lugar.
Gostei muito, meus parabéns.
ResponderExcluir2 Perguntas. O Gui voce conheceu no face ou voce contratou ?
E o equipamento voce alugou por lá mesmo ?
Oi Igor, obrigada! Que bom que vc gostou.
ExcluirEntão, o guia do Paty nós contratamos pela Cirtur, é o Pablo Ramalho Guerriero, ele tem face, acho que você consegue encontrar ele com esse nome. Agora equipamento nós não precisamos, porque não dormimos nenhuma vez em barraca, sempre em casa de nativos. A única coisa que tínhamos era nossa roupa, bota de caminhada e bastão, que eu levei. Sinceramente não sei se tem esses equipamentos pra alugar lá, eu não vi, mas também não procurei. Espero ter ajudado, se precisar de mais alguma coisa e eu puder contribuir é só falar.
bjs